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Texto: Luanda de Moura
Ilustração: Jonas Ribeiro

Mercado de capitais mexe com os corações e mentes dos jovens investidores.
Se é verdade que analistas econômicos e profissionais do mercado financeiro têm pontos-de-vista distintos, quando não contraditórios, a respeito de assuntos da área em que atuam, encontramos pelo menos um fato sobre o qual a maioria tem a mesma opinião: Foi a estabilidade econômica que abriu a possibilidade para a mudança de comportamento do investidor brasileiro. se na época da hiperinflação, nas décadas de 80 e 90, a grande preocupação era proteger o capital, hoje o objetivo é obter maiores ganhos, mesmo que isso signifique arriscar mais. e no mercado de risco, uma alternativa que tem se mostrado bastante atraente aos olhos do investidor é a compra e venda de ações na bolsa de valores.
Atenta à nova demanda, a Bolsa de valores de são paulo (Bovespa) criou uma série de atividades para desmistificar o mercado de capitais e popularizar o investimento em renda variável. interessante é que, segundo os dados da instituição, os jovens entre 21 e 30 anos respondem por 10% dos recursos de pessoas físicas. Mônica saccarelli, da Link investimentos, observa que muitos jovens têm migrado da poupança com renda fixa para o mercado de capitais: “os jovens que estão começando a construir um patrimônio pessoal muitas vezes não dispõem de grandes volumes para investir e, nesse caso, a compra de papéis é vantajosa, pois com apenas uma ação eles já recebem os dividendos da empresa.”
E foi mesmo a oportunidade de ser sócio das maiores empresas do país que despertou o interesse de douglas Maluf, 23 anos, para o mercado acionário. Há dois anos, quando come-çou a investir em ações, ele não entendia muito bem como funcionava o mercado e por isso tomou decisões erradas, que o fizeram perder dinheiro: “acho importante conhecer o negócio, para depois montar uma estratégia de investimento e ter disciplina para segui-la”, explica. disciplinado, ele separa uma quantia todos os meses para operar na bolsa. sua estratégia é comprar regularmente ações de primeira linha, as chamadas blue-chips, que são de empresas tradicionais de grande porte e ótima reputação, a exemplo da vale, petrobrás e Gerdau. Munido de gráficos, ele também arrisca-se no mercado de opções.
Ciente de que este tipo de investimento é de longo prazo, douglas procurou formação na área, assistiu aulas, participou de workshops e presenciou palestras e seminários. Hoje ele cuida informalmente dos investimentos de amigos e monitora índices e valores diariamente pela internet. a rede reúne quase todas as informações e ferramentas para se atuar no mercado, mas os especialistas advertem: É preciso muita cautela e alguma assessoria profissional para que o investimento valha a pena. “Muitas pessoas se iludem com a possibilidade de multiplicar o capital em pouco tempo e acabam assumindo riscos com os quais não estão preparadas para lidar”, resume Leandro Mattiussi, da LLa investimentos.
“Acredito que os jovens corram mais riscos, porque têm mais tempo para se recuperarem, em caso de perdas”, acrescenta José Ferraz de camargo, também da LLa investimentos. eles demonstram maior disposição para aprender sobre o mercado financeiro, mas ainda há quem prefira dar mais crédito à sugestão de algum amigo leigo, ou ao noticiário sensacionalista, na hora de efetuar uma compra. É aí que mora o perigo, porque se acontece uma desvalorização, essa pessoa dificilmente terá paciência e sangue-frio para ficar com os papéis. Uma pessoa bem assessorada dificilmente toma decisões precipitadas”, argumenta. na bolsa de valores, a expectativa de ganho deve levar em consideração o prazo de pelo menos um ano. Lembrese de que, no mercado real, ninguém entra para uma sociedade pensando em deixá-la no mês seguinte.
Assessorar investidores iniciantes e experientes é um dos serviços oferecidos pelas corretoras de valores. são elas que fazem a inter-mediação com o mercado, buscando soluções de investimento com redução de riscos. com atendimento personalizado, os analistas procuram estruturar uma carteira de investimentos, sempre considerando os objetivos, as necessidades no curto e longo prazo e a tolerância ao risco de cada investidor. além disso, as corretoras fornecem relatórios com análises políticas, financeiras, da micro e macroeconomia, que auxiliam as tomadas de decisões. “o canal de diálogo com o jovem investidor é bastante amplo. a Link tem buscado ampliar o contato direto, promovendo mensalmente palestras e ações educativas em universidades”, considera Mônica. como em quase tudo na vida, também no mercado de ações, o excelente desempenho prático é melhor edificado sobre uma sólida base teórica.