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Texto: Fernanda Manzano
Foto: Divulgação
Ilustrações: Fernanda Manzano
O sonho, palavra essa tão cheia de conteúdo que pode tanto dar conotação a um desejo muito almejado como também ao ato de dormir. Mas nesse ato aparentemente comum, damos margens a aparição da nossa tela de cinema exclusiva e aos filmes que criamos.
O sono, enquanto dormir, é um estado de repouso uniforme de um organismo. Em contraposição o estado de vigília se passa quando está acordado. O sono se caracteriza pelos baixos níveis de atividade fisiológica (pressão sanguínea, respiração, batidas do coração) e por uma resposta menor aos estímulos externos.
Sonhar é um processo mental involuntário em que se produz uma reelaboração de informações armazenadas na memória, geralmente relacionadas com experiências vividas pelo sonhador no dia anterior. O sonhar nos emerge em uma realidade virtual formada por imagens, sons, pensamentos e ou sensações. As lembranças que se mantém ao despertar podem ser simples ou muito elaboradas. As mais elaboradas tem cenas, personagens, cenários, diálogos e objetos. É provado que se sonha em qualquer umas das fases do sono humano. Porém os sonhos mais lembrados geralmente são os últimos que faz parte de uma fase chamada mOr (movimentos rápidos dos Olhos; e em inglês, rem: rapid eye movement).
Em muitas culturas se atribui um valor profético ao sonho, concebido como uma mensagem e decifrado como se tivesse origem divina. Esta crença se encontra, por exemplo, na bíblia (onde josé interpreta os sonhos do faraó: génesis 41:1-36). Na grécia a oniromancia foi uma atividade habitual: até hoje se conserva um manual de interpretação de sonhos, o de artemidoro, do séc ii d. C. Um dos filósofos da grécia antiga, heráclito (h.540-h. 480 a.c), porém já dizia que os sonhos não tem nenhum significado fora os pensamentos que a pessoa evoca. Neste sentido, heráclito era um visionário dos pensamentos científicos que viriam e que tentam explicar no que consiste o processo de sonhar nos organismos humanos e animais, sendo que só os mamíferos sonham.
Os trabalhos de freud sobre sonhos chamavam atenção sobre as zonas marginais do ser humano, como irracionalidade e o sexo. Freud mostra que o inconsciente (e não a consciência) é a parte de nossa psique que ordena todo o pensar e sentir. Segundo suas palavras: “O eu não é o senhor da sua própria casa”. A análise dos sonhos para ele estava ao acesso da região do inconsciente.
Carl Gustav Jung, discípulo heterodoxo de freud, sustentava que os sonhos eram um órgão de informação e de controle. Os símbolos oníricos são segundo este autor, transmissores de mensagens instintivas a partes racionais da mente do ser humano, e é necessário interpretá - los para compreender a linguagem dos instintos.
De uma perspectiva distinta à terapêutica, o surrealismo também é um movimento de observação dos sonhos. As revistas na época do movimento colocaram na moda as fantasias noturnas. André breton na sua obra “Os vasos comunicantes” (1932), expõe sua visão do fenômeno e, ao mesmo tempo reconhece a abordagem de freud, polemizando por argumentar de forma insuficiente.
Os sonhos supõem para o ser humano que são uma passagem para mundos que nada tem a ver diretamente com a realidade. Mas na verdade eles são uma demonstração da realidade do inconsciente, sendo estudados corretamente pode-se descrever, e melhor conhecer o momento psicológico do indivíduo.
Surrealismos e psicologia à parte, de um modo mais simples podemos admitir, respeitar e ainda aceitar que sonhar é um aspecto da nossa natureza não tão controlável assim. E inegavelmente é uma maneira muito bonita de nos auto presentear com uma verdade vinda de maneira criativa. Recomenda-se então, por fim, 8 horas de sono por noite e após acordar, um longo bocejo… zzzzzzzzzzz…